Técnica do Mês - Mánasika pújá

mánasika = conceber na mente
pújá = respeito

Definição
O mánasika pújá faz parte da primeira etapa do Bahiranga Sádhana, ou prática externa. Sua finalidade é proporcionar uma situação adequada para a prática e fomalizar o seu início.

O por quê
Para compreender esta etapa da prática precisamos estar cônscio do funcionamento habitual da mente. A mente está o tempo todo ocupada com alguma coisa. Nunca existindo silêncio. Do momento em que acordamos ao momento de dormir e, mesmo dormindo, um tremendo fluxo de imagens, impressões, sentimentos, impulsos, ansiedades, desejos, temores etc. existem sem parar. Nunca existe um momento de paz verdadeira. Não sabemos o que é estar totalmente centrado, olhando através do intelecto e com todos os sentindos em perfeito equilíbrio sem colocar o cérebro para dormir e, também, sem cair em um estado de tristeza, depressão, sentimento de inatividade, auto-hipnose ou transe.
É como olhar através de uma janela. Se o vidro não foi confeccionado perfeitamente ou se ele está sujo e embaçado, teremos imagens e impressões distorcidas do mundo externo. Por ignorarmos a causa do problema sofremos e fazemos outros sofrerem.
Vamos utilizar de uma outra comparação, a do projetor de cinema. Nele, nós temos, basicamente, uma pequenina luz, os rolos com a película cinematográfica, a lente objetiva e a tela de projeção. No nosso exemplo, a pequenina luz representa o estado de atenção, a película que passa os pensamentos, a objetiva e todo o aparelho é o corpo e a tela, na qual passa o filme projetado é o que chamados de vida ou realidade na mente e vividos pelos sentidos. O pensamento é como a película, nunca é novo. É sempre uma gravação. Pode, a princípio, parecer novo para nós mas, na verdade, é um processo mecânico! As gravações são diversas: conhecimentos de toda espécie, experiências vividas ou imaginadas, imagens, medos, culpas, registros emocionais, crenças, tradições, opiniões etc. Basta um pequeno desafio externo, basta olharmos para uma flor e pronto! Surgem na mente um exército de impressões/gravações que vão desde o nome da flor a sensações de romantismo, ternura do ser amado, lembranças de locais ou experiências vividas. O cérebro e a mente trabalham o tempo todo num processo contínuo de gravação. Elas tomam forma/corpo durante o contato. Ela emergem lá do fundo da memória e tomam vida na mente consciente. Uma reação puramente mecânica.
Portanto, nunca vivênciamos um estado de pura atenção. Mas, sim, somos totalmente tragados, tomados, engulidos pela contínua atividade da mente. Você já percebeu como a realidade, ou que chamamos de realidade, possui tons diferentes para diferentes pessoas? Compreender é de suma importância. Assim, durante o manasika pújá, iremos nos centrar que é totalmente diferente de concentrar ou concentração - não estamos falando disto. Iremos proporcionar uma situação, um ambiente interno adequado para a prática. Quando nos recolhemo para dormir, nós preparamos todo o ambiente. Desligamos as luzes, fechamos a casa, tomamos um banho, preparamos um chá, arrumamos o quarto, nos deitamos na cama. Uma vez na cama, podemos nem dormir. Podemos estar com insônia ou dormir profundamente e ter um sono reparador. Da mesma forma, o manasika pújá irá proporcionar condições para uma percepção clara, talvez mal consigamos relaxar durante a prática, não importa, isso também faz parte!

Viver da mente ou usar a mente para viver

Toda a nossa energia está no pensamento e, quando não temos nenhum desafio, trabalho, algum objeto de desejo, interesse, nos sentimos apático, sem motivação e depressivos. Será que não existe uma nova forma de viver onde não dependamos do pensamento ou de algum motivo. Pode parecer interessante estar motivado. Sentimos que o sangue corre pelas veias, o cérebro acorda e a vida parece tomar forma, sentido, significado. Ficamos entusiasmados e fundamos uma Instituição de caridade, um partido, uma empresa ou escola de Yoga. Só que não percebemos que estamos nos drogando psicologicamente. Existe um motivo, uma sensação e todo motivo é passageiro, ilusório. Ficamos presos nas garras do pensamento e da dualidade. Fazemos caridade interessadamente e, isso não é caridade e, assim, precisaremos de mais e mais motivos (estímulos). Ficamos presos a gangorra do ânimo e do desânimo indefinidamente. Mas, foi a mente que criou tudo isso. A mente se tornou importante. Não questionamos a sua importância, senão, não haveriam melhores casa, carros etc. Mas, passamos a viver dela exclusivamente, ou seja, ela está tão forte e poderosa que nos tornamos escravos dela e, ao invés de, usarmos a mente, nos tornamos joguetes de nossos próprios medos, anseios, angústias, frustrações, sucesso, insucesso, o eterno vir-a-ser etc.

 

O quebrar do ciclo vicioso

Quando começamos a ver, a compreender todo esse drama que acontece em nossas mentes algo acontece. Não estamos falando de algo místico, mágico ou sobrenatural! Mas, sim, de uma mudança na própria estrutura interna no nosso pensar. Quebramos a corrente do pensamento. Por isso, é importante pelo menos, a princípio, entender todo este cenário para que a prática não seja uma mera diversão, perda de tempo, culto ao corpo etc. E, sim, auto-transformadora e real em nossas vidas.

 

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