A Essência do Yoga


O primeiro passo da jornada

A essência do Yoga só poderá existir quando compreendermos profundamente o significado factual e não conceitual do adi krama yoga. Adi significa base, fundamento; krama, passo e yoga, união, integração, disciplina, método, relação etc. No adi krama, a palavra yoga significa relação. Vamos, então, estudar, compreender profundamente o que é relação, já que, viver é relacionar-se o tempo todo, mesmo vivendo só, estamos nos relacionando com a natureza, com o universo etc.
Se queremos realmente aprender Yoga, precisamos saber o que é relação. Qual é o papel da relação do aluno com o professor? O que é a relação? Precisamos saber: qual é a nossa visão do próprio Yoga? Como vemos o Yoga? Como vemos o instrutor? Que tipos de idéias, conceitos trazemos em nosso foro íntimo? O que esperamos receber do professor? Que tipo de ensinamento, aula ou prática? Qual a natureza da nossa busca? Quais as nossas expectativas em relação a tudo isso? Poderá parecer um tanto assustador e até desanimador todas essas perguntas. Mas, se não temos as respostas a elas a nossa relação será equivocada, pois, a relação será parcial, desconexa e ilusória, e isso, não é um exagero.
Você poderá questionar: o que todas essas perguntas tem haver com o Yoga? O Yoga não é uma prática de posturas, na qual o corpo é torcido para tudo quanto é lado? Uma técnica de relaxamento e meditação? É exatamente aí que precisamos esclarecer. Em primeiro lugar temos um conceito do que é Yoga - certo ou errado, não importa - temos um conceito, uma crença, um pensamento. Portanto, o que é este conceito? Como se formou? Se não compreendermos isto, esperamos uma coisa do professor do Yoga e recebemos outra, existe, portanto, uma contradição. Infelizmente, não percebemos todo o processo e quando as coisas não correspondem ao que queremos,passamos a criticar o Yoga, o professor, a escola e até nós mesmos.
Temos que compreender acuradamente o que é relação. Segundo o codificador do Yoga, Maharishi Patañjali, no primeiro tratado de Yoga, o Yoga Sútra, ele fala da importância da reflexão (vitarka/vichara- versículo. 17), pois, nós não pensamos, nós temos pensamentos. Os pensamentos borbulham em nossa mente o tempo todo, pois, são impressões neorológicas não compreendidas do processo de relação. Utilizamos a mente para inventar, calcular, memorizar, questionar os nossos direitos, descobrir novas formas de ganhar mais dinheiro, de obter sucesso, mas, nunca utilizamos para investigar e descobrir sobre a nossa própria vida e seus problemas internos relativos a nossa relação, aos nossos medos, frustrações, mágoas, anseios etc. Não estamos nos referindo a ir a uma terapia, psicólogo, fazer uma análise ou ir a um filósofo. Mas, a cada um de nós despertar dentro de si a faculdade de ver, perceber com a nítida clareza todo o funcionamento da sua própria mente. Refletir, indagar aquilo que pensamos e sentimos. Porque de outra forma, temos apenas pensamentos que se traduzem como diversos impulsos, sentimentos contraditórios e comportamentos neuróticos.
O Yoga, na sua essência, é uma jornada interior. Toda a sua prática externa é apenas acessória. Ao longo dos séculos, diversas técnicas externas para o cuidado do corpo e da manutenção da sua saúde foram desenvolvidas, mas, tinham a finalidade de dar base e energia para a jornada interna. Mas, é por esta prática externa que o Yoga é conhecido e, atualmente, houve uma inversão, o que tinha a finalidade de superar o ego está estufando-o. A evidência está na prática das posturas e até já se ouve falar em campeonato de Yoga. Quantos absurdos! A ciência da alma se transformou na ciência do entretenimento. Isso não é uma crítica, mas a clareza de observação dos fatos e da compreensão da correta relação que nos colocará no sentido real do Yoga.
Assim, se somos sérios, e queremos empreender esta jornada precisamos mergulhar fundo no estudo do adi krama yoga. Vamos, então, arregaçar as mangas e dar início a esse estudo.

A Luz que nunca se apaga

O adi krama yoga sintetiza um estudo básico, rudimentar do Yoga Sútra e da questão de como a nossa mente funciona, a relação e a percepção. Porque de outra forma não teremos uma situação propícia para o despertar do Yoga. A nossa percepção muitas vezes não é clara e temos tantos pensamentos. Não existe uma unidade. De manhã pensamos de uma maneira, à tarde, outra e a noite outra. Diversas dúvidas, pressões diárias, stress, doenças etc. E lá vamos nós, trocar de entretenimento. Mal damos alguns passos e já desistimos. As razões são infinitas e a mente tem uma habilidade espetacular de racionalização, ou melhor, auto-ilusão. Por isso, precisamos compreender muito bem os aspectos simples do funcionamento básico da mente. Vamos aprender a olhar com todo o nosso ser. Pensamos que olhamos. Na verdade, o nosso olhar é seletivo, ou seja, estamos sempre olhando segundo os nossos caprichos, as nossas preferências, o nossos gostos ou desgostos. Agora mesmo, você poderá notar isso em sua mente que poderá estar acompanhando junto comigo cada passo da exposição ou, de outra maneira, concordando ou discordando. Essa atividade mental não é transformadora, é mecânica. Uma simples observação mostrará como a mente se projeta o tempo todo interminavelmente. Estamos presos dentro de conceitos, crenças, hábitos, idéias, pensamentos, sentimentos, que se manifestam, se projetam na nossa vida. O que nos interessa é a percepção e a compreensão que são a Luz que ilumina cada passo que damos. Ela jamais se apaga. Mas, damos as costas. Como a lua cheia que reflete a luz do sol, sua luz não é própria. Ela é apenas um satélite sem vida a refletir a luz do sol. Da mesma forma, a nossa mente apenas reflete. A mente se tornou importante. Mas, ela é pequena e por mais que se expanda nunca conterá a Luz. Isso é sumamente importante!
Nossos cérebros estão tão cheios, tão abarrotados de conhecimentos inúteis, experiências, toda a literatura livresca e “conhecimentos espirituais”. Ora, conhecimento espiritual não é espiritual. Não percebemos que o conhecimento condiciona a mente. Imprime nela uma forma, um colorido. Obnubilando a luz da percepção. Como isso pode ser chamado de espiritual? É puramente material. Não existe mais espaço para a liberdade e a lucidez, mais sim códigos de ética e moral, cair em pecado ou pagar os pecados etc. Todo o explendor da vida tolhido, contrido. De outro lado, a necessidade de compensação cria mais e mais a busca a várias formas de prazer que precisam ser reprimidas. A isso, chamamos vida. A nossa vida diária, um verdadeiro torvelinho.
Observando toda essa complexidade que chamamos vida, vemos o desenvolvimento de uma tremenda estrutura de comunicação e relação. Ao mesmo tempo, vemos o quão caótica estão as nossas relações, na qual, o temor, a insatisfação, a ansiedade, a insegurança assombram o nosso viver. Vemos o fator exponencial das confusões geradas pela má interpretação, má fé, corrupção, abuso de poder, desentendimentos que toda essa relação gera. Constantes guerras e conflitos perpétuos. E parece que nunca questionamos. Nunca perguntamos se existe uma nova maneira de viver. Agora, se a mente está formatada, tolhida, enjaulada em conceitos, se faz absolutamente necessário perceber isso, da mesma forma, que você percebe este papel. Se não estamos conscientes da existência da jaula como vamos procurar a porta? Assim é o adi krama yoga. Resgatar a Luz que não se apaga, e que abre as portas de todas as jaulas.
Agora, você pensa:
Tudo isso parece difícil. Como? Nessa loucura que vivo. Isso não é para pessoas como eu! Tenho que trabalhar para ganhar dinheiro. Tenho filhos e uma porção de problemas. Que negócio é este de luz. Pra que?!
Parece que todos nós temos um lado zoologista. Somos especializados na confecção de jaulas! Será que a nossa situação de vida é um fator determinante para a percepção? Será que precisamos primeiro nos aposentar e lá no fim quando estivermos caquéticos fazermos alguma coisa? Absolutamente! Como não sabemos mais o que é viver sem jaulas construímos outras imediatamente em substituição, decorando-as, muitas vezes, acendemos incenso e meditamos. Achamos espetacular até que um dia, quando nos cansamos deste brinquedo enfadonho nos tornamos um revolucionário ou mesmo um mestre. Tudo isso pode parecer dramático e você poderá pensar que eu estou tentando impressioná-lo ou coagi-lo.
Assim, se você acompanhou não passivamente, mas, realmente olhou dentro si, você descobriu, percebeu, uma transfomação ocorre. Se simplesmente gostou ou desgostou uma jaula foi construída. Ou você usará a informação para catequizar alguém ou irá repudiá-la completamente.

A verdadeira caminhada

Se vamos fazer uma caminhada de algumas horas ou mesmo dias, temos que levar o que é absolutamente essencial, porque, de outra forma o fardo que iremos carregar comprometerá a jornada. Cansaremos com muita facilidade e, talvez, não consigamos ir até o fim. Parece-me importante ir até o fim e conhecer apuradamente e percorrer todo o caminho. Não é isso que vemos. Cavamos um buraco para encontrar água e, logo desitimos concluíndo: aqui não tem água. Cavamos outro e mais outro... desistência após desistência. Mas, será que cavamos o suficiente? Ou simplesmente, cavamos um pouquinho aqui, um pouco ali, dispersando energia, e saímos pelo mundo afora sentindo-nos doutores? Assim temos dois aspecto: levar o estritamente essencial e ir até o fim.
Agora temos as seguintes perguntas:
-o que é essa jornada interior?
-o que levar para essa jornada interior? Que apetrechos precisamos?

Não perca na próxima edição a jornada interior.

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