Colecionando Seixos

Um dia um monge parou próximo a casa de um homem próspero e encontrou seu proprietário atarefado enchendo um largo cofre de aço com moedas de ouro e prata.

Tentando entender, o monge perguntou ao homem o que ele estava fazendo.
O homem respondeu: “ Senhor, não se preocupe. A fé alimenta você, e se ela não fizer, não importa porque você não se preocupa com o que aconteça com seu corpo. Mas é diferente para nós homens de família. Nós devemos acumular um pouco da nossa riqueza, para não passarmos fome em tempos difícies.”
A resposta do monge foi convidá-lo para visitá-lo, no dia seguinte, nas montanhas atrás da cidade.
Quando o homem chegou encontrou o monge cavando um buraco em frente a sua cabana e muito ocupado enchendo com pequenas pedras redondas.
Ele esteve trabalhando desde a madrugada e já tinha acumulado uma boa quantidade.
“O que está fazendo, senhor?” O homem perguntou. “A montanha atrás de sua cabana é coberta com essas pedras lisas e redondas. Por que está coletando elas?”
“Para tempos difíceis”, o monge respondeu. “Pode acontecer dessas montanhas serem levadas embora, e então eu estou coletando essas pedras e escondendo-as caso venha a precisar delas”.
“Isso é loucura”, o homem rico respondeu. Não é possível as montanhas serem levadas embora.”
“E não é possível que o Universo falhe em suprir com o alimento antes de você”, o monge respondeu pulando a pilha. “É tolice gastar seu precioso tempo acumulando ouro e prata. Sua tarefa na vida é conhecer a si mesmo profundamente, em todos os níveis. Acumule sua energia para alcançar esse nobre propósito ao invés de desperdiçá-lo com ocupações mesquinhas e ansiedades.

Comentário:

O conto trata de um aspecto muito importante em nossas vidas: o despertar do autoconhecimento e a importância que damos as coisas. As coisas possuem valor em si ou fomos nós que demos os valores as coisas? Se observarmos cuidadosamente, descobrimos que estamos presos dentro de um sistema de valores físicos, emocionais e mentais. Para o Yoga é importantíssimo compreendermos a nossa relação com as coisas, pois, de outra forma, reagiremos aos fatos da vida ao invés de agirmos. Não importa se você é rico ou pobre. Se você tem muitos bens materiais ou não. O importante é perceber a miséria existencial que criamos em nossas mentes através do apego. Onde existe apego existirá, inexorávelmente, sofrimento. Portanto, conhecer a si próprio é libertador. Pensamos que conhecemos a nós mesmo mas, na verdade, se olhamos para dentro de nós com uma atitude auto-corretiva não estamos olhando e apenas tentando nos ajustar a um determinado padrão, seja ele religioso, filosófico ou mesmo o Yoga. Nos tornamos imitadores. É importante conhecer o medo, a raiva, os anseios, as frustrações etc. Agora, se já olhamos para o medo classificando-o como medo, deixou de existir a percepção pura, pois, passamos a olhar um conceito e não a coisa em si. E, assim, vivemos, ao invés de olhar o caminho, escolhemos olhar o mapa. Voce pode até acumular ouro e prata como o homem no conto, mas, não deve gastar a sua energia nisto, e sim, no autoconhecimento.

 

 

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