Conhecendo Melhor o Shivágama Yoga
( Os 10 Axiomas )
 

Os 10 Axiomas...
 
1 - Yoga é percepção. A essência do Yoga é um estado do Ser.
2 - Se o corpo faz uma coisa e a mente faz outra não existe integração.
3 - O pensamento cria o observador.
4 - O observador é a coisa observada.
5 - Da comparação nasce o esforço.
6 - Esforço é medo e desejo. Eles nascem do pensamento.
7 - O esforço para integração é desintegração.
8 - Na percepção do esforço nasce o não-esforço.

9 - Estabelecido no não-esforço nasce a meditação.

10 - Meditação é a purificação da mente..
 

1) Yoga é percepção. A essência do Yoga é um estado do Ser.

Parece-me que percebemos muito bem o que os nossos vizinhos, familiares, amigos e pessoas próximas fazem. ‘Gostamos’ de ver os erros cometidos e, principalmente, nos sentimos superiores por não ter cometido tal equívoco. Mas, percepção ou a sua ação - perceber quer dizer: é estar totalmente ciente, lúcido, atento não só ao que acontece fora, e sim, dentro de nós! Em nosso corpo, músculos, nervos, cérebro, ou seja, na totalidade que somos. Se todo o acervo de experiências, conhecimentos, tradições, crenças, condiciona a nossa mente e sentidos, o que vemos nos outros ou reparamos a nossa volta, nada mais nada menos, é a projeção, a resposta de todo esse acervo. Olhe dentro de você! Na própria leitura deste texto, você vivenciará diversas reações ou respostas no próprio desafio da leitura. Seu cérebro reage ao que lê. Você poderá concordar ou discordar. Acreditar ou desacreditar. Aceitar ou rejeitar. Aspectos opostos da mesma moeda! Agora, se percebemos, e estamos determinados a compreender, a descobrir, então, vamos utilizar a luz do discernimento. Não estaremos satisfeitos em apenas concordar ou discordar. Mas, em compreender os motivos que estão por detrás. Por que concordamos? Por que discordamos? Quando indagamos, descobrimos mais coisas do que pensávamos. Vamos, assim, até a raiz. Percepção é o autoconhecimento que liberta. Só é percepção verdadeira quando olhamos sem querer modificar o que é visto internamente - muitas vezes não gostamos, isto não quer dizer que ficará assim, mas, é preciso conhecer com totalidade. Se existe esforço não é percepção. Será preciso perceber o que está detrás do esforço. Assim, o praticante rastreia toda a ramificação do ego. No rastrear o despertar do Ser. Lembre-se: a mente é muito habilidosa em inventar teorias. Fazer deste texto algo a ser praticado já é um erro! Você não percebeu nada. Agora, ao ver todo esse processo dentro de você, então, algo se transforma. Querer a repetição da transformação é estabelecer novos condicionamentos! Aí está a beleza da percepção! Ela é viva momento a momento. Jamais alguém poderá aprisioná-la. Se existem visões diferentes de uma mesma coisa, então, isto não é percepção e, sim, opinião. Somos pobres de percepção e ricos de opinião. Só conseguiremos acabar com o sofrimento humano, quando nos libertarmos das opiniões.


2) Se o corpo faz uma coisa e a mente faz outra não existe integração.

Os 10 Axiomas são placas de trânsito que orientam de forma geral como transcender a mente. Eles são o supra-sumo do primeiro e segundo capítulo do Yoga Sútra. Colocam de uma forma quase que zen a iluminação da mente. Na verdade, nada precisa ser iluminado ou transcendido, mas sim, compreendido e, desta forma, restauramos a nossa natureza verdadeira e original. Como um espelho que está sujo, no qual, as imagens não estão claras. A função do Yoga e dos 10 axiomas é servir de orientação para o esclarecimento interior. Ele irá nós ajudar a se livrar das garras da confusão e da ilusão da mente. Este axioma nos faz lembrar do funcionamento habitual da mente e que foi comentado no item anterior. Estamos na maior parte do tempo sempre divididos o que gera uma sensação de ansiedade, aflição, inquietação corporal e respiratória. Simplesmente nos acostumamos com isso. Se tornou uma regra, uma maneira de viver. É um padrão mecânico e quando reclamamos que estamos cansados da vida, na verdade, estamos cansados é do padrão. Podemos nos cansar do padrão e inventar outro mais prazeiroso, mas a mente como ela existe é apenas uma formadora de padrões. Lembre-se do conto do rei que perdeu seu conselheiro. Todo o reinado se reuniu para escolher quem iria substituir o conselheiro. Chegaram a três possíveis pessoas: um filósofo, um matemático e um yogi. Os mesmos deveriam passar uma semana no castelo para se prepararem para a sabatina que iria determinar quem ocuparia o cargo do conselheiro do rei. Então, o matemático que queria muito este posto, começou a estudar com afinco e a rever todas as suas fórmulas. O filósofo, da mesma forma, organizou suas anotações e teorias para estar preparado para o exame. Mas, o yogi não tinha tal pretenção e, na verdade, estava ali até mesmo contra a sua vontade. Os três se cruzavam nas dependências do castelo. O matemático sempre estava carregando suas folhas e fazia cálculos até dormindo. O filósofo se comportava de maneira semelhante e conforme os dias passavam a aflição aumentava. Entretanto, o yogi parecia gozar da mordomia do castelo, de seus lindos jardins e da farta alimentação. Estava o tempo todo sereno e compassivo. Muitas vezes ria de êxtase e alegria na celebração do nascer e o por-do-sol. Vivia cada instânte. O matemático e o filósofo chegaram até a perguntar ao yogi: -você não irá estudar para a sabatina? O yogi apenas fitava com um suave sorriso nas faces. Após uma semana chegou o tão esperado dia. Seria, finalmente, decidido quem ocuparia o cargo. O matemático, o filósofo e o yogi foram levados para o salão real e, chegando lá, o rei apresentou uma porta que continha diversas inscrições ao redor da fechadura. Assim, o rei disse: - aquele que conseguir resolver o enigma será o escolhido. Imediatamente o matemático e o filósofo começaram a fazer conjecturas e análises nos diagramas. O yogi apenas observa e resolve ir para um dos cantos do salão para esperar o tempo passar. O matemático começa a se descabelar e a transpirar frio. O filósofo caminha de um lado para outro evocando conceitos. O tempo passa e o rei aparece dirigindo-se para o matemático e o filósofo: - O que vocês estão fazendo ainda aqui? O yogi já resolveu o enigma. O dois ficaram boquiabertos e perplexos sem nada compreender. Foram então procurar o yogi para tirar satisfação, pois, ele estava a toa num dos cantos do salão. Ao encontrá-lo quiseram, então, satisfação do yogi que disse: - Estava esperando o tempo passar, por que achei tal enigma muito difícil, mas, então pensei, será que a porta não estaria aberta? Moral: não havia problema algum, mas, se a mente está condicionada para ver problemas, então, tudo que aparece será considerado um problema. A mente é como um programa de computador. Ela se auto programa e o próprio programa se torna o problema. Nos habituamos a estar divididos. Falamos em corpo e mente como se pudéssemos separá-los. Como se fossem entidades independentes. Dividimos o tempo em passado, presente e futuro e isto gera dentro nós um estado de expectativa. Essa divisão é apenas psicológica. A única coisa real é o eterno presente. Não estamos negando a existência do passado ou do futuro. Mas, eles só existem no pensamento. Assim, na percepção factual e não conceitual disto nasce a verdadeira integração.


3) O pensamento cria o observador

Em primeiro lugar, precisamos entender o que é o pensamento. Como nasce o pensamento? Será que podemos pensar além do que já está em nossas memórias ou o pensamento está limitado pela memória? Não será o pensamento uma reação da memória? Ontem tive uma dor. Ela ficou registrada em minha memória. Hoje, lembro-me dela, assim, ela renasce e fico pensando - como posso evitar essa dor.
Gosto de fazer uma analogia com os jovens. Quando eles viajam, costumam levar pouca bagagem. Mas, quando ficamos mais velhos... ah! Agora é diferente, passamos a levar um monte de tralhas que nem iremos usar. Por que será que isso acontece? Não será uma manisfestação do pensamento na forma de recordação de experiências passadas e o esforço de contorná-las. Obviamente, precisamos da memória e do pensamento e, isso é fundamental, precisamos reconhecer até onde o pensamento é útil e onde ele é inútil. Assim, temos a relação com algo, dessa relação nasce a experiência, da experiência o conhecimento, do conhecimento a memória e da memória o pensamento. Veja isso dentro de você. Esqueça a teoria e a palavras, mas, descubra por si prórpio. A partir de então, nos nossos contatos a memória reage.
Agora, temos o observador, o sensor, o controlador, o juiz dentro de nós, o ego, aquele que compara e analisa. Sua base é a memória, por isso, na verdade, o pensamento cria o pensador ou observador e não o contrário como pensamos. Assim, quando nos deparamos com o fato disso e não com o conceito disso, passa a existir uma mutação dentro de nós.

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